24.12.14

Abismo (trecho)

Eu olhei para os dois lados e, atestando-me só, liberei o peido que já doía na barriga. Os gases se rearranjaram e foram pedindo passagem pelo ânus a intervalos cada vez mais curtos, mesmo quase um pum contínuo. Maria penetrou meu campo de visão como a navalha do Cão Andaluz – andei em sua direção, arrastando comigo um pouco daquele afeto ruim. Maria mostrou duas chaves semelhantes e perguntou, doce, se eu sabia qual delas abria a porta do estúdio, qual delas abria a porta do camarim. Eu disse, doce, que não cuidava desses assuntos, mas que ela poderia pôr sua sorte à prova: o estúdio, logo ali, 50% de chances para as duas portas.

Maria recolheu o sorriso

ainda eu não era a fechadura correta

Maria seguiu em direção ao estúdio, lado oposto ao daquela fétida atmosfera

encaixa a chave, tenta girar

e não abre.

20.12.14

poemas sem título (em processo)

"Escrever é cortar palavras".


Estou criando poemas a partir do romance O Médico Rebelde, de Frank G. Slaughter, mesmo autor de Dilema de Médico, Honra de Médico, Heroísmo de Médico, Mulheres de Médico e outros títulos semelhantes.

Prolixo e pueril, o livro pode não ter muito valor literário, mas tem muitas palavras! Um desperdício jogá-las todas fora. Seleciono as mais caras para transformar numa edição poética de tiragem limitada.


Aguardem. :)